quinta-feira, 11 de outubro de 2018

ARTIGO - OUTUBRO/2018 - AS PÉROLAS FALADAS PELOS JOGADORES


O futebol é, além de uma paixão nacional, um celeiro de expressões e frases sem nenhum sentido. E não só de jogadores, mas também de dirigentes e jornalistas.

Nesta semana Deyverson, após o jogo contra o São Paulo, declarou, com toda inocência que: “Às vezes solta o chip da minha cabeça e não sei o que acontece”.

O futebol brasileiro, histórica e majoritariamente, vem de raiz, de jovens que não tem acesso à uma educação de qualidade, normalmente oriundos de famílias humildes que suam para sobreviver e, por consequência, tem dificuldade de mandarem os filhos para a escola. A maior parte deles chega ainda na adolescência nos clubes e poucos tem a consciência de contribuir à formação destes atletas como cidadãos. Felizmente esta realidade está mudando e está havendo investimento nesta área também.

Também contribui para algumas frases ininteligíveis, o assédio da imprensa, aglomerações que deixam às vezes as pessoas atordoadas.

Mas, a realidade é que, mesmo sem cultura ou instrução, fazem milhões de pessoas felizes e lutam pelas cores de seus clubes e da nossa pátria verde e amarela.

Então, vale a pena relembrar algumas frases engraçadas.

Começando com nosso Mané Garrincha, bicampeão mundial, alma inocente, teria sido vítima de uma brincadeira no ano de 1958, quando estava com a seleção brasileira. Havia comprado um rádio de pilha em Paris e o massagista tentou aplicar um golpe e disse que o rádio só falava sueco, propondo pagar só metade do valor. Garrincha aceitou e depois foi reclamar com o dentista da seleção, que o acompanhou na compra, dizendo, que o rádio não falava português. A questão foi resolvida e o dinheiro retornou ao Mané. Mas ele soltou algumas outras épicas: 

“Já acabou o campeonato? Que torneio mais mixuruca, não tem nem segundo turno” (Após a final do Campeonato do Mundo de 1958, na Suécia); 

A bola veio para a esquerda, mas não dava para trocar de pé. Então chutei de esquerda fazendo de conta que era de direita. ” (Explicando seu gol contra o Chile nas semifinais da copa de 62)

Vejamos outros exemplos:

A Claudiomiro, centroavante do Inter, foi atribuída a seguinte frase: "É uma alegria jogar em Belém, a cidade em que nasceu Jesus", quando da visita à capital Paraense, para um jogo contra o Paissandu.

Jardel teria dito: quando o jogo está a mil minha naftalina sobe” e ainda “"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja."

De Pitico temos: “assinar não assinei, mas já acertei tudo bocalmente”

Já Fábio Baiano tem dois exemplos: “estou de regime, o doutor me proibiu de comer bicarbonato”; "Deixa de ser burro, Renato. Não existe baleia macho, a baleia transa com o tubarão para ter filhotes"

Marinho Chagas: “só posso resumir esta derrota com duas palavras: a-zar

Josimar: "O que eu achei do jogo? Eu não achei nada, mas o negão ali achou um cordão de ouro no gramado.

Biro Biro, ao receber um motorádio como prêmio: "A moto eu vou vender, e o rádio eu vou dar para minha avó."

Dadá Maravilha: “Não venham com problemática que eu tenho a solucionática."

Souza: “O novo apelido do Aloísio Chulapa é CB, Sangue Bom”

Fabão, quando apresentado no Flamengo: “A Partir de agora meu coração só tem uma cor: preto e vermelho”

Mas isso não é exclusivo de jogadores. Dirigentes de clubes também soltaram as suas frases históricas.

O lendário e folclórico Vicente Mateus rotineiramente soltava algumas pérolas: 'O Sócrates é inegociável, invendável e imprestável'; 'Quem está na chuva é para se queimar'; 'Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão'; 'O nosso mais novo reforço para compor a zaga é o Quero-Quero' (na época da contratação de Biro Biro; 'O maior general da França é o General Eletric'; 'Depois da tempestade, vem a ambulância'; 'Jogador tem que ser completo, tem que ser como o pato, que é aquático e gramático'.

Eurico Miranda também tinha suas tiradas, lembremos uma: “Você só morre quando morre. Então, nunca é tarde. Enquanto tem sopro, não morreu. Nunca é tarde, não tenho receio. Se eu tivesse receio por ser tarde, já teria feito”

Juvenal Juvêncio também teve uma célebre: 'Eu estou arrependido até a morte. Foi o pior ato que eu já fiz na vida.'

Até comentaristas esportivos escorregam. Neto disse: “O Fernando está correndo o tempo, parece até que tem dois pulmões”.

Damos risadas, mas uma coisa temos que admitir: além de alegrar os torcedores dos clubes, são inteligentes, pois boa parte destes jogadores (e dos outros) conseguiu muito dinheiro e prestígio, sabendo aproveitar o dom que tinham com a bola nos pés.

Esse é o retrato do futebol brasileiro.

Colaboração de Fábio Screnci.

4 comentários:

  1. Ah, isso faz parte do esporte, das nossas lembranças, do folclore do futebol. Jogadores como Cafu precisaram passar por 8 peneiras em diversos clubes. Sua persistência aliada a necessidade, o fizeram ter uma carreira consagrada e ficar marcado pra sempre ao erguer nosso último caneco pela seleção principal numa Copa do Mundo. Esse tempo que o Cafu se dedicou, outros garotos com poder aquisitivo maior, com formação escolar, acabam não tendo para insistir nesse sonho de ser jogador. Quantos garotos com potencial devemos perder por não encararem tantos desafios. E aí, em geral, como descreveu o Fleury, jogadores de famílias simples, com poucos recursos e escolaridade, acabam soltando essas pérolas e além do talento, se destacam e tornam o futebol ainda mais divertido.

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  2. Muito bom e divertido o artigo e o comentário. Abs. Julio

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  3. Fleury, no último jogo do Sport, em Recife, o time pernambucano ganhou do Internacional de Porto Alegre de virada; 2x1. Eu assisti o final do jogo e uma entrevista do jogador Adryelson, atacante do time da casa que anotou o gol de empate. Era o primeiro jogo dele após a troca de técnicos e o repórter perguntou qual foi a sensação dele.
    A resposta foi mais uma pérola;
    Disse ele:

    “Eu abracei a oportunidade de braços abertos”

    Deve ser a melhor de 2018.

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